O certo sempre será certo e o errado sempre será errado

E ENTÃO...
Referimo-nos frequentemente aos políticos como profissionais antiéticos. Mas será que nós mesmos somos realmente tão éticos assim, ao ponto de poder tranquilamente atirar pedras nos telhados dos outros, ou temos o telhado de vidro? Primeiramente, precisamos entender o que significa a palavra ética.
O CONCEITO
Ética é proveniente do grego “ethos” que quer dizer modo de ser, caráter. Ou seja,  para uma pessoa ser considerada ética ela deve, acima de tudo, possuir um bom caráter, valores, princípios e ser exemplo em seu modo de ser. Tem a ver com moralidade, afinal, uma pessoa com boa índole preza pelos bons costumes, valores e pretende “andar na linha” sempre que possível.
ÉTICA NASCE COM O INDIVÍDUO

Tenho plena consciência de que não é tão simples assim ser certinho o tempo todo, afinal tentações nos surgem a todo o momento. Porém acredito que é possível fazer a coisa certa se entendermos o final do processo. O que quero dizer com isso é que o caminho tortuoso pode ser o mais fácil (e na maioria das vezes ele é), mas, quando conseguimos atingir o sucesso através do procedimento mais longo, porém mais correto, essa conquista se torna muito mais prazerosa e duradoura.
A FALTA DE  ÉTICA
A falta de ética está nas atitudes mínimas. 
Por exemplo: 01- Quando um office-boy fura a fila do banco para conseguir fazer seu trabalho de forma mais ágil, na empresa certamente o acharão mais competente, o que não ameniza o erro dele passar na frente de pessoas que tinham tanta pressa quanto ele. 
                           02- Outro exemplo que parece bobo é de pessoas que pegam para si pequenos objetos, como canetas e lápis, julgando serem artefatos de pequena importância ou valor. Não importa se aquela caneta custou dez centavos de real, mas se ela não é sua, você não pode pegar sem pedir.
                           03- Aceitar troco a mais para levar vantagem;
                           04- Furar fila;
PARA TUDO TEM UM COMEÇO
Tenho certeza de que algumas pessoas podem estar me considerando exagerada. Mas não sou! Para tudo tem um começo e quem começa furando uma fila, lá na frente pode fazer coisas muito maiores e piores. 
NINGUÉM NASCE BOM, MAL, ÉTICO OU ANTIÉTICO
Ressalto que  ninguém nasce bom ou mal, ético ou antiético. Isso não é da natureza humana. Trata-se da personalidade, ou seja, é lapidada de acordo com os ensinamentos dos pais e parentes próximos quando criança. 
HOMEM COMO FRUTO DO MEIO JAMAIS
Da mesma forma, um indivíduo que cresce dentro dos padrões ideais de comportamento pode, depois de certa idade, adquirir más condutas através do que observa no ambiente e sociedade em que está inserido. E o pior, há fatores que influenciam pessoas propensas a exercer procedimentos considerados ruins como, por exemplo, a não punição àqueles que andam fora da lei.
O QUE PENSAM OS FILOSOFOS?
Segundo alguns filósofos, nossas vontades e nossos desejos poderiam ser vistos
como um barco à deriva, o qual flutuaria perdido no mar, o que sugere um caráter de inconstância. Essa mesma inconstância tornaria a vida social impossível se nós não tivéssemos alguns valores, princípios e regras que permitissem nossa vida em comum, pois teríamos um verdadeiro caos.  Logo, é necessário educar nossa vontade, recebendo uma educação (formação) racional, para que dessa forma possamos escolher de forma acertada entre o justo e o injusto, entre o certo e o errado.
ÉTICA NAO É SINÔNIMO DE LEI
Nesse momento, vale ressaltar que Ética não é sinônimo e nem está diretamente ligado à lei, apesar de os códigos e normas estipulados no Brasil e no mundo usarem a ética como princípios básicos. Não é à toa que atos ilícitos são permeados de condutas extremamente antiéticas. Por isso algumas pessoas acabam tomando como normais certos atos abusivos que, infelizmente, não são corrigidos.
Trazendo para o mundo corporativo, então, temos “pratos cheios” de atitudes antiéticas para contar. É muito comum conhecermos histórias de profissionais que não conseguiram resistir à tentações. Sabe aquele seu colega que olha para as pernas da secretária todas as vezes que ela se levanta para ir ao banheiro? Ele, com certeza, não pode ser considerado exemplo de ética. Ou então aquele seu antigo chefe que subornou o fiscal para não ser multado por estar fora das normas estipuladas pelo sindicato. Lembra do seu colega chato que toda vez que passava na sua mesa, pedia emprestado o grampeador, caneta, borracha etc. e nunca devolvia? Você realmente acha que ele era uma pessoa esquecida?
DIFERENÇAS: MORAL, IMORAL, AMORAL , VALORES E PRINCÍPIOS
Primeiramente, o que é moral? É o que está “de acordo com os bons costumes e regras de conduta; conjunto de regras de conduta proposto por uma
determinada doutrina ou inerente a uma determinada condição.”
No mesmo dicionário, moral também é classificada como o “conjunto dos princípios da honestidade e do pudor”. Daí este termo ser tão utilizado em âmbito social, principalmente no político!
Imoral é tudo aquilo que contraria o que foi exposto acima a respeito da moral. Quando há falta de pudor, quando algo induz ao pecado, à indecência, há falta de moral, ou seja, há imoralidade.
Amoral é a pessoa que não tem senso do que seja moral, ética. A questão moral para este indivíduo é desconhecida, estranha e, portanto, “não leva em consideração preceitos morais”. É o caso, por exemplo, dos índios no tempo do descobrimento ou de uma sociedade, como a chinesa, que não vê o fato de matar meninas, a fim de controlar a natalidade, como algo mórbido e triste.
Valores são o conjunto de características de uma determinada pessoa ou organização, que determinam a forma como a pessoa ou organização se comportam e interagem com outros indivíduos e com o meio ambiente.
A palavra valor pode significar merecimento, talento, reputação, coragem e valentia. Assim, podemos afirmar que os valores humanos são valores morais que afetam a conduta das pessoas. Esses valores morais podem também ser considerados valores sociais e éticos, e constituem um conjunto de regras estabelecidas para uma convivência saudável dentro de uma sociedade.
Princípio pode ser entendido como aquilo que vem antes, começo, nascedouro. Por outro lado, pode ser entendido como os valores mais caros e inarredáveis de determinada pessoa. No linguajar popular é comum ser dito: fulano é uma pessoa de princípios! Este simples adjetivo dirigido a alguém, significa que determinada pessoa possui atributos morais e éticos que pautam a sua conduta como ser humano. Como se fossem linhas mestras, dentro das quais, alguém se move. Já aquela pessoa qualificada como - sem princípios – significa o mesmo que sem escrúpulos, ávida por locupletar-se a qualquer custo e por qualquer meio. 
Desta forma, não é difícil perceber que os princípios têm uma função importante, sobretudo para a vida em sociedade. Se os princípios indicam no agir individual, determinados valores, ligados a um comportamento ético, justo e moralmente corretos, é certo que também estão ligados ao respeito às demais pessoas e vão ao encontro da propalada paz social!
O CERTO SEMPRE SERÁ CERTO E O ERRADO SEMPRE SERÁ ERRADO
É certo que, cada vez mais, as pessoas buscam seu espaço, seja na empresa, no mercado de trabalho ou no mundo. Porém as proporções de condutas amorais crescem assustadoramente a cada dia. Se começássemos fazendo a nossa parte, quem sabe conseguiríamos mobilizar um bom número de pessoas em prol de sermos mais honestos uns com os outros e, consequentemente, mais honestos com nós mesmos? Quem perde com a desonestidade é o próprio indivíduo. Basta ver as manchetes dos jornais. São novas CPIs que aparecem uma atrás da outra. As pessoas parecem ficar desnorteadas com a possibilidade de tirar proveito seja lá do que for. E o pior... Na maioria das vezes, os atos antiéticos acontecem em função da busca desesperada por dinheiro. São pessoas enriquecendo à custa de muita falcatrua.
REFLEXÃO:
Mas não se assuste. O que é errado, uma hora vem à tona e, exatamente, por isso, reforço que é muito mais sólida uma conquista baseada em honestidade do que aquela com alicerces construídos à base de muita tramoia.
Profª Valéria Reani

Valéria Reani

Advogada, sócia-consultora de “VR Advocacia Empresarial”, especialista em gestão empresarial e Professora de Ética e Legislação de Profissões Regulamentadas. Possui mais de 20 anos de experiência em Direito Trabalhista, Direito Autoral e uso de imagem, Propriedade Intelectual e Direito Digital. Dedica-se na aplicação dessas áreas do Direito, tanto no ambiente corporativo como no educacional. Colunista jurídica.