Sai de um lugar que nunca saiu de mim

Morei em Ponta Porã de março de 1971 a setembro de 1972. Na verdade, é Ponta Porã que sempre morou em mim, desde que desembarquei na Estação Ferroviária. Era uma segunda-feira, oito de março. Um dia antes eu e meu pai, corinthianos apaixonados, havíamos assistido ao jogo inaugural do Morenão: Flamengo 3 x 1 Corinthians.
Desci com meu pai, em um táxi, a Rua Gal. Osório, se não me engano, na qual nossa família iria morar algum tempo depois. A primeira casa era na Rua Tiradentes, de madeira, nos fundos de uma vila. Em instantes, a primeira saída. Fomos ao Bar do Pastor, onde comecei a conhecer o círculo de amizades: Ribas, o barbeiro, que disputava memoráveis partidas de sinuca com meu pai; Chumbinho (Alcindo), Carioca (parceiro de buraco), Fernandão e "seu" Marinho (protagonistas de uma inesquecível feijoada), entre outros. Logo em seguida, conheci o Nasser Abdalla (que morava na mesma rua e foi meu colega de colégio) e sua irmã, o Getúlio Camargo e seus filhos Orlando e o César.
Meu pai era da Receita Federal e lá conheci outro time, como a Lourdes Brandão, o chefe José Provenzano, o Jaime (morreu assassinado), o Eurindo (amigo da família), o Dauzacker (pai da Érica) e outros. Mas foi nos esportes e na escola que as amizades vieram aos montes para florir minha vida e cravar em mim convivências inapagáveis.
O Pelego me convidou para uma partida de futebol no campo do Noroeste, time no qual ele jogava. Como ninguém tinha certeza sobre minhas qualidades futebolísticas – a única referência foi uma sugestão do meu pai ao Pelego -, me empurraram para um tal de Operarinho. Por “piedade” e “diplomacia”, fui escalado de cara. O time tinha, entre outros, o Ajala, Marciano (goleiro), Toninho Soares, Armindo, Peruco, Davi Teixer, Alderete, Farinha, Maurinho e outros que agora não lembro. Ganhamos, 1 a 0, gol do Toninho, de pênalti, e eu sei que fiz uma bela partida, marquei logo o Pelego e o anulei, tanto que permaneci até o final e após o jogo o Cambona, técnico deles, me chamou prum canto e me convidou para jogar no Grêmio Noroeste.
Edson Moraes
o 'Corumbá', em 18-10-2015


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Edson Moraes

 Jornalista, poeta e apaixonado pela arte de escrever.