Filhos do coração

História verídica (leia e se emocione)  - 

Ana era uma mulher bem humorada, alegre e muito amorosa. Aos dezenove anos casou-se com Pedro. Todos achavam os noivos muito novos para se casarem, mas o fato era que o casal se amava muito e Ana estava grávida.
Ainda na lua de mel, Ana perdeu o bebê. Recuperou-se. Decidiram que no ano seguinte tentariam outra gravidez. E foi o que fizeram. Mais uma vez, Ana perdeu o bebê.
Após uma terceira tentativa frustrada, Ana e o marido resolveram investigar a causa dos abortos sucessivos. Descobriram que Ana possuía endometriose. Mas a medicina lhes deu esperança e eles depositaram todas as fichas em um tratamento, após uma cirurgia.
E tudo correu conforme o esperado e a gravidez veio. Felicidade geral! Continuaram com o tratamento e seguindo todas as recomendações médicas. E ao completar dez semanas de gestação, o golpe mais difícil de suas vidas lhes atingiu: perderam, mais uma vez, o bebê.
Todo o tempo e o dinheiro empregado foram perdidos, e todo o afeto nutrido por aquele bebê, foi guardado no fundo do peito. Uma profunda sensação de incapacidade os abateu e um sentimento de luto e de resignação invadiu-lhes a alma.
Ana é uma mulher comum e com uma infertilidade que acomete muitas mulheres. Mas havia uma diferença: Ana era uma sobrevivente da violência doméstica. A mãe de Ana era uma mulher que não media a mão quando tinha que “corrigir” seus filhos. Ana fora acostumada a ter de explicar para os professores sobre a origem do olho roxo, do braço quebrado, da mão queimada... Ana conviveu diariamente com a idéia de que quem deveria amar e proteger, era, na verdade, sua carrasca... Ana tinha pavor de sua mãe.
Por isso, quando desejou ter filhos, queria tê-los para experimentar o amor materno como acreditava que deveria ser: incondicional, afetuoso, protetivo e confiável. E em cada gravidez ela reafirmava suas crenças e suas promessas: “vou ser a melhor mãe do mundo!...”.
E por isso cada vez que seu sonho se frustrava, Ana experimentava a sensação de desilusão e de sofrimento de toda a sua infância; seu subconsciente a assombrava e ela vagava entre as lembranças obscuras de seu passado... Mas ela milagrosamente renovava as esperanças, reagia e tentava de novo.
Mas naquele dia ela decidiu que entraria com processo de adoção, falou com o marido e assim o fizeram.
Alguns meses se passaram. Um dia receberam o telefonema da assistência social: tinham uma jovem grávida de sete meses, que queria entregar o bebê. Só havia um problema: a mãe era dependente química e havia consumido drogas durante a gestação.
Naquele momento a ficha caiu: é real, mas não é como se fosse fruto meu. Não tenho escolha. O marido de Ana não concordou com a adoção daquele bebê, não havia sido assim que ele havia imaginado o seu filho.
Pedro ficou muito resignado àquela idéia, em especial àquela criança. Em contrapartida, Ana sentiu-se invadir pelo sentimento de que aquele seria o seu filho. Tentou convencer o marido, mas não tinha jeito, ele não queria aquela criança!
À noite, Ana e Pedro, já dormindo, acordaram no meio da noite, ao mesmo tempo, sobressaltados. Ana disse: “Nossa que sonho estranho, parecia tão real...”. E Pedro disse: “Eu também tive um sonho esquisito”. Ana continuou: “Sonhei que me entregavam uma criança, um bebê, uma menina”. O marido só dizia: “Eu também”. “E ela era moreninha, cabelo preto.” Marido confirmava: “Isso mesmo”. E uma voz disse: “Esta é sua filha, vai se chamar Ana Maria”. Ele disse: “Foi assim mesmo”.
E os dois se abraçaram e choraram e disseram que a filha era prá eles. Tinham certeza.
No dia seguinte ligaram para a assistência social e perguntaram mais sobre a criança. E a assistente social disse que era uma menina. Como eles queriam e haviam sonhado. Então deram andamento às formalidades para o processo de adoção.
E sabe o que Ana fez? Foi ao shopping, comprou o enxoval de Ana Maria. E foi muito engraçado a atendente da loja perguntando: “O bebê é pra quando?” E ela respondendo: “Daqui a dois meses!”. E a atendente dizendo: “Nossa! Nem parece que você está de sete meses...”. E Ana não esclarecia a situação, não. Ela realmente estava se sentindo grávida de sete meses!
Dizia para as amigas: A única diferença é que minha gravidez durará dois meses!
Quando Ana Maria nasceu, Ana estava no hospital e assim que fizeram os testes e exames necessários, levaram a criança para a mãe - Ana, claro.
Ana segurou sua filha nos braços: era como tinha sonhado – pele morena, cabelo preto e farto, olhos grandes e negros - e soube que sua filha era perfeita.
O primeiro contato entre mãe e filha ocorreu de forma natural e emocionante, como tinha que ser: Ana Maria buscou o seio de sua mãe, Ana, que a amamentou pela primeira vez. Ana, emocionada, contava os dedinhos das mãozinhas de sua filha, cheirava o seu cabelo e afagava seu bebê. E Ana Maria mamava e olhava nos olhos de sua mãe, gravando a imagem da mulher que seria sua protetora, seu anjo da guarda, para o resto da vida.
E Ana amamentou sua filha até os dois anos e a amou e protegeu todos os dias. Dois anos depois, adotou Luíza, irmã de coração de Ana Maria.
E cumpriu sua promessa: ser a melhor mãe do mundo para suas filhas do coração, sempre...
Patrícia Franca
(Essa história é verídica e adaptada por Patrícia Franca).


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