Aprendendo com desastres...

Nestes últimos anos tenho elogiado o bom trabalho que os órgãos ambientais fazem na preservação da Mata Atlântica. Não se vê mais aquelas derrubadas nas encostas e as clareiras antigas estão se recuperando ano após ano. Nada mais se desmata hoje; uma beleza.   

É bonito ver a mata se debruçar sobre a rodovia quase batendo no carro quando estou subindo a Serra do Mar na BR-101. E não se vê apenas beirando as rodovias; olho de cima para baixo quando numa viagem aérea e vejo que a preservação está sendo feita também lá dentro dos grotões. Dá gosto se ver. É de lavar a alma.

Sim, lavar a alma especialmente daqueles – onde me incluo – que desmataram milhares de hectares para plantar arroz, depois trigo e soja. Foi naquele tempo em que o governo estimulava a abertura das lavouras mecanizadas a fim de ocupar o solo com outras culturas além do café e a pecuária.

A gauchada (a referência inclui catarinenses e paranaenses) entrou com tudo nessa empreitada. Avançamos sobre o cerrado do Centro-Oeste e fizemos dele a região mais rica do país apenas plantando soja e milho. Afundamos pra dentro da Amazônia e até fomos além – agora tem gaúcho plantando soja no Amapá. Contudo, hoje reconheço que fomos longe demais. A Selva Amazônica é sagrada, a gente deveria saber disso. Mas quem consegue tirar gaúcho de dentro de uma briga boa?

Já carrego esse peso na consciência desde quando era madeireiro e assistia o tombo de um pinheiro no meio do mato no Paraná. O pinheiro (Araucária Angustifólia) é a árvore mais bonita da Mata Atlântica, a mais imponente; ele sempre se sobressai nas matas de sua região climática e quando me vem imagens vendo-o cair, me angustio.

Fazer o quê? Naquela época a gente dizia: onde sai um pinheiro nasce uma roça de feijão.

Hoje tem árvore preservada no meio de rua atravancando o fluxo dos carros e coitado daquele que se atreve a danificá-la! A consciência ecológica está chegando aqui também e é bom para todos.

Pois é, mas como justificar, então, o desastre no Rio Doce em Minas Gerais? Ninguém tente fazer isso, pois é perda de tempo. Na verdade foi a ganância das mineradoras que promoveu esse imenso desastre e por serem grandes e poderosas somente o governo pode freá-las. Ele não o fez e por isso é o maior culpado desse desastre.

Quando ele sabe que é o responsável ele age antecipadamente como fez recentemente colocando o Exército para retirar os garimpeiros invasores em Pontes e Lacerda (MT) onde estavam formando uma nova Serra Pelada.

Agora o governo sabe que têm outras represas com alto risco de se romperem. Ele terá que agir; primeiro apontando o dedo para elas e depois promovendo os consertos ele mesmo – com a ajuda do Exército, se necessário.

Sei que estou sendo repetitivo ao insistir nesse assunto da prevenção de desastres, mas acontece que esse no Rio Doce precisa servir de lição para precaver outros porque ainda está na nossa memória o do Golfo do México onde o vazamento de um poço contaminou uma das mais belas regiões do mundo. Hoje a Petrobras não está em condições de suportar um desastre em algum dos seus empreendimentos do Pré-Sal. Por conta disso seria melhor este governo frear o Pré-Sal e voltar ao discurso do combustível limpo, o bicombustível. 

Waldir Guerra

Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. ([email protected])    


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Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. E-mail: [email protected]