E a aposentadoria?

Graças ao período de férias coletivas as notícias políticas estão apenas nas especulações e assim estamos livres daquela angústia diária em sabermos sobre impeachment da presidente e traquinagens na Câmara dos Deputados.
Apesar de quase tudo parado na administração pública o que chamou a atenção foi a Presidente Dilma anunciar que pretende apresentar uma Reforma nas Aposentadorias. Sabe, é aquela história que já conhecemos sobre o rombo que a Previdência está acarretando ao Orçamento Geral do Brasil. Parece que o governo federal só agora está acordando para a gravidade com esses gastos para o futuro do país. 
Esse rombo no INSS já existe e para este ano é de R$ 66,7 bilhões. E ele está previsto para R$ 1,04 trilhão em 2040 se as coisas continuarem como estão – previsão feita pelo ministério da Previdência e também pelos da Fazenda e Planejamento. 
Se examinarmos o Orçamento da União veremos que o PIB brasileiro é hoje de R$5,5 trilhões e a arrecadação prevista para 2016 está em torno de R$3 trilhões – é muito imposto! Mas só com gastos no INSS, em torno de R$500 bilhões, o estouro será cada vez maior nas contas públicas.   
Assim, precisamos reconhecer a importância de alterar essa fórmula das aposentadorias para que o país não trilhe o caminho grego – a gente sabe o que aconteceu com a Grécia ao se “lambuzar” na distribuição de benefícios com dinheiro público.
A importância na correção desse rombo deveria ser encarada, inclusive pela oposição, como de interesse geral. Eles próprios – me refiro aos políticos da oposição – podem se vencerem as próximas eleições ficar com essa “batata quente” nas mãos. Deveriam, então, todos os congressistas abraçarem a proposta, melhorá-la e pô-la em prática de imediato.
Isto seria bom para o Brasil, claro, mas o que dizer a respeito da aposentadoria individual? 
Meu conhecimento pessoal a respeito da aposentadoria de cada um de nós não é lá muito animador. Já apontei aqui neste espaço algumas experiências negativas, mas não me custa nada repeti-las. A primeira delas foi com meu pai que no nascimento da sua única filha fez-lhe uma previdência privada com prazo de resgate em 20 aos para deixar-lhe um bom dote. Nem minha irmã e muito menos meu pai receberam algum benefício daqueles carnês pagos com tantos sacrifícios – naquele caso, pelo menos, ficou a lembrança da felicidade de minha mãe ao contar a todos o dote da filha.
Outra experiência negativa foi comigo ao comprar um plano de aposentadoria num daqueles “Montepios” onde me prometiam uma aposentadoria com o salário de general de exército ao final de 30 anos de contribuição. Após pagar religiosamente durante 16 anos descobri que a empresa havia mudado as regras do plano e no final minha aposentadoria seria, se muito, o salário de um soldado raso.
Também um exemplo na família: um irmão contribuiu com o INSS por todo tempo necessário para receber quando aposentado o valor de dez salários mínimos. Hoje o salário mínimo é R$880,00, mas ele recebe pouco mais de dois mil reais. Veja bem; não são apenas bancos e companhias privadas que dão calotes, mas o próprio governo.
Assim, para concluir, se você não é funcionário público, não tenha ilusões com planos de aposentadoria; nem públicos e muito menos privados. Confie na aposentadoria mínima do governo que me parece estará sempre garantida – principalmente se tiveres o Título de Eleitor válido. Mais do que isso vai depender da tua própria competência. 
Waldir Guerra
Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. ([email protected])    

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Waldir Guerra

Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. E-mail: [email protected]