Chico, nenhuma cifra compra reputação, admiração e respeito (veja o vídeo)

A obra e o talento de Chico Buarque são incontestáveis. Mas suas declarações em defesa de um governo que jogou o país num abismo soturno, numa crise sem precedentes – 'como nunca antes se viu…' – são afrontas ao bom senso. São o exemplo perfeito da máxima que reza que talento e caráter caminham por vias distintas e muitas vezes excluem-se mutuamente.

É perfeitamente compreensível a reação agressiva do cidadão-contribuinte-produtor, considerando que nas últimas décadas o referido artista só faça mamar em projetos de financiamento público – de cujas prestações de contas são caracterizadas por muitos como frágeis, constáveis e suspeitas – evidentemente viabilizadas em contrapartida à propaganda que tenta fazer ao governo. Trata-se de uma “parceria” imposta pelo governo à população, em que o primeiro assina o empenho e o segundo fornece o recurso. Uma coisa corrobora a outra.

É natural que as pessoas sintam-se traídas por um sujeito que já foi seu ídolo, já empunhou a bandeira da democracia em tempos de ditadura (verde-oliva), da Justiça em período sinistro, e que infelizmente converteu-se na imagem da decadência moral, do “pagando bem, que mal tem?”, do “feio é roubar e não poder carregar”.

A atitude do artista escancara que hoje há em suas mãos a bandeira da ditadura (vermelha), do autoritarismo, do populismo burro e arrogante, da incompetência, inclusive para o crime (refúgio daqueles que padecem de preguiça).

Aos que pedem “respeito a Chico”, só me resta lembrar que todos nós devemos respeito uns aos outros.

Que o que “Chico” vem fazendo beira as raias do deboche, do cinismo.

É nauseante constatar (não se trata de acusar ou insinuar) que homem tão talentoso, amado pela sensibilidade e legado (ora irremediavelmente maculado) vendeu-se por migalhas – qualquer cifra é migalha pois nenhuma soma compra reputação, admiração e respeito.

“Cegueira que dá dó é a daquele que não quer enxergar”

Vivendo e aprendendo.

Finalizo pedindo e rebatendo: “Chico, respeite o povo brasileiro!”

João Henrique de Miranda Sá

Veja abaixo o vídeo enviado para o Jornal da Cidade, com o comentário de Reinaldo Azevedo:

João Henrique de Miranda Sá

Jornalista, escritor e redator autônomo