Em novo discurso orquestrado no Palácio do Planalto a presidente carrega nos subjetivos

Dilma cada vez mais agressiva

Com o avanço – agora mais efetivo – do processo de impeachment de Dilma Rousseff, a presidente vai revelando cada vez mais fortemente toda a sua irritação nos discursos que vem fazendo no único lugar onde se sente segura: Palácio do Planalto.

A plateia da vez foi um grupo de professores num evento nominado “Encontro da Educação pela Democracia”.

A rotina se repete: os ouvintes gritam, pulam, aplaudem e fazem coro nos mantras batidos: Não vai ter golpe! Não vai ter golpe! E outros tantos já conhecidos.

Desta feita a presidente reforçou a mensagem de que está sendo vítima de um “Golpe” e acusou – sem citar nomes – Michel Temer e Eduardo Cunha de serem os conspiradores. Aos dois, a quem chamou de chefe e vice-chefe, atribuiu a responsabilidade pela instabilidade política que está em curso com fortes reflexos na economia e na política. A palavra golpe foi repetida 12 vezes pela presidente.

Eduardo Cunha é a mão invisível (não tão invisível assim, asseverou a presidente) que articula os mecanismos golpistas, e Michel Temer foi descrito como aquele que esfrega as mãos e ensaia a farsa do vazamento de um pretenso discurso de posse.

A presidente inicia sua fala lendo uma placa empunhada por um dos presentes:

Eu vou começar falando uma frase que está aqui sendo mostrada para mim, e que eu acredito que ela é muito importante: “este não será o País do ódio”. Definitivamente, este não será o País do ódio. Por isso, eu quero dizer para vocês que nós estamos aqui para que este não se torne o País o ódio e que não se construa o ódio como uma forma de fazer política no nosso País. O ódio, a ameaça, a perseguição de pessoas, de fato, este não é o País do ódio. Isso não cabe no nosso País”. (SIC)

(Para ler o discurso na íntegra clique aqui)

Na maior parte do discurso a presidente tratou do assunto impeachment.

É interessante observar que antes do aprofundamento da crise e do amadurecimento da discussão em torno das chamadas “pedaladas fiscais”, especialmente quando o Tribunal de Contas da União enquadrou o Governo Federal pelo uso abusivo e à margem da lei daquilo que ficou conhecido como “contabilidade criativa”, a presidente jamais fez tantos encontros oficiais com entidades de classe, associações representativas, movimentos sociais, e outros tantos grupos de variados matizes, todos afeitos ao governo, logicamente. Seu esforço em recuperar a simpatia e apoio de alguns setores da sociedade é evidente. Não seria ruim, ao contrário, se não fosse um movimento escancaradamente dos interesses subjetivos do próprio governo. Pode ser que ela venha intensificando a sua agenda já que não tem muito o quê fazer por agora. O governo está paralisado e o ano está perdido. A agenda nacional é o impeachment e enquanto isso não se resolver – com o seu afastamento definitivo ou absolvição – o Brasil amargará um longo período inercial.

Amado e idolatrado por alguns e refutado pela maioria, Lula segue no seu intento de reunificar a base aliada através do velho processo político do “toma lá, dá cá”, de dentro de um quarto de hotel vizinho ao Poder Central. Não deu certo na Comissão Especial de Impeachment. A aposta está na votação no plenário. Mas, hoje (12) Leonardo Picciani em combinação com Michel Temer resolveu liberar a base para que os peemedebistas governistas (??) votem de acordo com suas consciências; é mais uma péssima notícia para o governo. A base vai aos poucos abandonando Dilma e mingua a possibilidade de uma reviravolta que deslinde com a sua absolvição. O PP, por sua vez, garantia quarenta votos a favor de Dilma, mas o Deputado Federal Jerônimo Goergen (PP-RS) contradisse Ciro Nogueira – líder governista do PP – e afirmou que o partido entregará cinco ou seis votos favoráveis a governante. O deputado Maurício Quintella (PR-AL) abandonou a liderança do partido para votar contra Dilma, e garantiu que vai levar entre 25 e 30 votos a favor do impeachment.

Enfim, o governo está cada vez mais enfraquecido, mas não ao ponto de não insistir na tese do “Golpe Parlamentar” e eleger quem são os conspiradores, farsantes, traidores e ingratos. – A política é assim, não é? Ninguém avisou a ela?

Lula, ao que parece, chegou tarde. Mas não tão tarde para ver a sua biografia derreter como gelo sob o sol. Alvo da força-tarefa da Lava jato e, agora também, do Procurador-geral da República, junto com Dilma ficará a aguardar o decidirá Janot diante de todos os indícios de ilícitos aparentes que repousam sobre sua mesa.

2017 será um ano que promete.

JM Almeida

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JM Almeida

João Maurino Sernaglia  Almeida Filho. Bacharel em Ciências Econômicas e Ciências Jurídicas. Professor liberal de Matemática Financeira Aplicada. Investigador da Filosofia. Investigador Criticista/Racionalista