O holocausto silencioso do aborto e o milagre da vida – A experiência contada de Gianna Jessen

‘Percebi que todos aqueles que são a favor do aborto já nasceram.’ – Ronald Reagan.

A discussão de quando se inicia a vida é interminável. Mesmo que a ciência consiga um dia definir esse momento com precisão, os debates não cessarão. 

Não há decisão jurídica, por mais douta, nobre e competente, capaz de colocar para dormir as controvérsias levantadas pela questão do aborto.

Parece óbvio e natural que, a partir do momento em que um óvulo é fecundado por um espermatozoide, uma vida em potencial começa a se desenvolver. 

Mas que potencial existe caso esse óvulo fertilizado não venha sequer a se fixar no útero? Essa polêmica é infrutífera, pois o aborto sempre existirá, independentemente de qualquer conclusão científica, dogma religioso ou convicção ética. 

Nenhuma forma de crime é mais horrenda, perversamente cometida de maneira premeditada contra vítimas inocentes, indefesas do que o ato de abortar.

Se analisarmos a interpretação particular de algumas pessoas que sugerem ser o feto não um ser humano formado, chamando tal realidade como algo não existente, diríamos que a vida humana começa a partir do momento da fecundação e o que as pessoas chamam de ‘coisa’ ou ‘aquilo’, é vida latente que pulsa que tem DNA humano, portanto um organismo vivo, capaz de desenvolver-se e formar-se.

Nos Estados Unidos, existem cerca de 2 milhões de casais a espera de uma doação, mas apenas 15 mil bebês disponíveis, enquanto isso há 1,5 milhão de abortos, segundo afirma o cientista americano Jack Wilke. O custo anual gerado em clínicas de abortos chega a 70 milhões de dólares por ano.

Alega-se como argumento falho, tentando remediar o erro, questões sociais, como por exemplo, o descontrole de natalidade, afirmando-se que não existem condições favoráveis, inclua-se neste contexto, o fator econômico, para o sustento de uma realidade que dia após dia parece crescer assustadoramente, somando a esta concepção, o crescimento demográfico. Ocorre que os países que mais cometem aborto no mundo são os mais ricos, pelo simples fato de que o nascimento de filhos no seio de uma sociedade onde existem riquezas ocasionaria uma relação de poder cerceada pela ganância dos filhos face ao poder dos pais.

As histórias que ouvimos sobre pessoas que relatam fatos marcantes em suas vidas, quase sempre trazem situações de crises intestinas, acidentes, mas também, exaltam o caráter de quem poderia desistir de tudo, e assume diante das barreiras impostas por circunstancias outras, o papel decisivo de desafiar seus próprios limites, sendo em tudo pessoas que dignificam pelo exemplo e pela coragem de lutar apesar de tudo.

Exemplos assim, é que nos fazem pensar no milagre da vida todos os dias, na ação de Deus a mover a história dos homens, onde a cada instante, um novo capítulo é escrito diante da lágrima, do choro, da conquista de um sonho encantado, que para alguns especialistas, seria absurdo acreditar, contudo, tudo isto é uma resposta clara, evidente, de que a vida é a mais difícil das tarefas e o amor à vida, o mais difícil dos amores, mas também, o mais gratificante.

Tenho a impressão de que o mais enriquecedor na existência humana é a capacidade de conquista todos os dias, diante das aparentes impossibilidades que alguém poderia apresentar como argumento de que para uns a vida cessaria em sua beleza de existir por causa de um infortúnio, de uma realidade que limita o corpo.

Acreditar na possibilidade da fé, rever o íntimo e imaginar que neste universo somos a poesia maior do criador, implica em nunca desistir diante de tudo. 

Fico emocionado com experiências que envolvem depoimentos que nos encorajam a ver o mundo de outra forma, sob a ótica da esperança, da vida a fluir bela, contagiante, o tempo todo.

A realidade vivida por Gianna Jessen, hoje com 29 anos, é algo que ninguém poderia imaginar, ainda quando era um feto, sua mãe a rejeitou em seu ventre e decidiu queimá-la viva dentro do útero. Embora tenha tentado se livrar do bebê de todos os jeitos, ela falhou. Gianna conseguiu nascer viva e recuperar-se do procedimento de aborto.

Quando sua mãe tinha 17 anos e descobriu que estava grávida, ela foi a uma clínica de abortos onde lhe aplicaram uma solução salina que devia queimar o feto por dentro e por fora, fazendo-o ser expelido sem vida em menos de 24 horas. A solução agiu em Gianna por 18 horas, mas, para a surpresa de todos, ela foi expulsa do útero com vida, pesando apenas 900 gramas.

Com um senso de humor impagável ela conta que, para sua sorte, o médico abortista não estava na clínica na hora em que nasceu. Segundo ela, era comum que os bebês nascidos vivos em situações como essa fossem mortos, mesmo fora do útero. Depois, o homem que deveria matá-la foi obrigado a assinar sua certidão de nascimento.

Infelizmente, ela não saiu ilesa da tentativa frustrada de aborto. Foi diagnosticada com paralisia cerebral e os médicos chegaram a dizer que ela sequer conseguiria levantar a cabeça, sentar ou engatinhar. A previsão agourenta, assim como o aborto, não se concretizou. Depois de três anos fazendo uso de um andador, a única sequela visível no corpo de Gianna é o andar manco, o que não a impediu de se tornar uma estrela da causa pró-vida desde cedo.

O depoimento que ela dá é tão poderoso e emocionante que é a resposta perfeita à sua mãe e a todas as pessoas que cometem a infelicidade de tirar um bebê da oportunidade de vir a esse mundo.

Diante desta realidade, observei as palavras desta mulher, que diante de algo parecia possível – o Aborto -, teve a chance dada por Deus de sobreviver, mesmo com sequelas, e dizer ao mundo acerca do milagre da vida.

A vida é feita de pequenos e grandes milagres. Ela está sempre nos testando, nos oferecendo combates que nos educam e glorificam. Quase sempre, somos confrontados com desafios que nos fazem ver o quanto somos limitados diante de nossas fraquezas. 

Ter a certeza de que nossa vida é um sopro, um breve conto ligeiro, nos faz pensar na difícil tarefa de existir diante dos inúmeros desafios que nos chocam e nos fazem ver o quão dependentes somos uns dos outros.

Pio Barbosa Neto

Professor, escritor, poeta, roteirista.

Pio Barbosa Neto

Articulista. Consultor legislativo da Assembleia Legislativa do Ceará