O mercado do sexo

Não é preciso decifrar como podemos imaginar o convívio forçoso de pessoas envolvidas num mundo de promiscuidade e violência, principalmente se neste espaço, existem agenciadores que vivem do comércio ilícito do sexo, promovendo toda sorte de exploração física, geralmente aliada a práticas sadomasoquistas ou a estímulos que estão condicionados a força bruta e a tortura.

Há alguns anos, tivemos um relatório da Câmara Municipal de Fortaleza, sobre a prostituição nas áreas de concentração dos grandes hotéis na Beira-Mar, onde a CPI, detectou uma rede de exploração e agenciamento da prostituição, integrada por pessoas influentes, além de aliciadores que geralmente ‘comandavam’ a negociação entre os clientes e as garotas, geralmente menores com carteiras de identidade adulteradas.

Na década de 80, a Campanha da Fraternidade, lançou uma revista onde existia número alarmante de crianças prostituídas na região Norte do país, ao todo, estimava-se cerca de 18.000 crianças aliciadas por caminhoneiros, garimpeiros e exploradores.

O retrato da prostituição revelou a face cruenta de um país que não respeita os direitos da criança e que infelizmente serve-se da prostituição para promover uma imagem de ‘sedução’ e ‘prazer’ ao gosto do freguês.

Imaginem que o perfil que algumas pessoas tem do país reflete modelos promíscuos, amorais, cerceados por programas televisivos que procuram revelar ‘símbolos sexuais’, para promover astros e estrelas num palco qualquer.

Em síntese, como se não bastasse o lixo da vergonha que nos remete a estados de incredulidade, num mar lamacento de corrupção e negociatas, somos a cada dia impactados pelos números avassaladores da AIDS, que segundo a Fundação François-Xavier Bagnoud Center, vinculada à Universidade de Nova Jersey (EUA), projetou até o final do século XX, cerca de 10 milhões de crianças órfãs, havendo 1 milhão de mortes em consequência do HIV. 

A cada ano nascem 145 milhões de pessoas em todo o mundo, isto significa uma população de risco, diante do descaso como são tratadas as questões referentes à prevenção e ao controle diante do avanço surpreendente dos casos de contaminação e morte.

O que de fato importa considerar, certamente será como esta geração formada por nossos filhos, vivenciarão o confronto cm modelos libertinos, pautados num relativismo ético, profundamente ameaçada de destruição nos seus mais profundos e significativos valores.

Certamente que, se olharmos a face crua de nossas ruas, saberemos interpretar que o fenômeno da violência, das drogas, da prostituição, é apenas a ponta de um grande ‘iceberg’, semelhante a um Titanic que se despedaça diante de um bloco concreto de gelo, podemos ver neste instante, quadros movidos pela torpeza de uns, ganância de outros, que investem suas vidas nesta teia venenosa de prazeres, onde o saldo final, deixa no corpo, marcas indeléveis que o tempo não consegue apagar.

O que nos assusta, será com agiremos diante dos falsos paradigmas que o mundo insinua como normativos, enquanto, lutamos para promover o equilíbrio de nossas relações dentro de um universo que nos acusa de retrógrados, alienados, fadados a práticas ‘caducas’, enquanto assistimos o desmoronamento, da família, dos valores, ceifados por modelos idílicos e frouxos, sem qualquer preceito de moralidade e ética humana.

Afinal, não basta desvendarmos numa frase os números alarmantes da AIDS, da violência nas ruas, da prostituição, é preciso erradicar os focos onde se concentram os agenciadores, os manipuladores, os criminosos que seduzem e violentam inocentes.

Certamente, que por trás de todo convite sedutor, impresso nos jornais da cidade, onde homens e mulheres deixam seus nomes fictícios para promover o sexo fácil e insensível, sem amor, existe a tolerância ao mercado do sexo, tão amplo e fartamente abastecido em troca de modelos idílicos, o que fomenta na mente e no corpo, uma espécie de alienação e torpeza, fulminando com a liberação total de uma conduta libertina e fútil, sem qualquer apego aos mais nobres sentimentos dos homens.

Seria prudente, existir uma punição exemplar para os agenciadores do sexo, alguns consideram profissão, sinceramente, não há maneira certa de se fazer o errado, de promover o trabalho em troca de prostituição, isto é crime, devendo ser penalizado diante da lei quem assim procede.

É preferível extirpar esta tendência de tolerância aos falsos paradigmas como comuns, convém uma ação diretiva, de confronto e isto significa dar a sociedade o direito de viver com decência e dignidade, sobretudo ética, para o bem daqueles que sabem interpretar ser a verdade o único elo que nos lança a elucidação dos fatos sem qualquer hipocrisia a nos intimidar. 

Convém agir, este é o tempo oportuno para arrancar, extrair, tirar, além das doenças físicas, o mal interior de um mundo em caos. É preciso reconstruir, assumir uma postura que se deixe influenciar pelas vozes de tantos, presos aos leitos de um hospital, vítimas da AIDS, do sexo explícito, da prostituição, certamente nossa presença redundará em palavra e ação diante daqueles que nos veem a margem sem nada fazer.

Pio Barbosa Neto

Professor, escritor, poeta, roteirista

Pio Barbosa Neto

Articulista. Consultor legislativo da Assembleia Legislativa do Ceará