Detalhes que a mídia mainstream não te contou sobre a guerra síria

Mesmo com tudo que tem sido divulgado sobre o ataque químico do governo sírio contra os próprios cidadãos, eu notei que muita gente ainda acaba comprando opiniões equivocadas com base numa quase total falta de conhecimento sobre a Síria, sua guerra civil, sobre a influência russa na região e sobre o Estado Islâmico. Antes de mais nada, vamos aos fatos mais incontestáveis:

1) Em 2013, o governo Assad promoveu mais de um ataque contra seu povo usando armas químicas. Só em Ghouta, quase 800 pessoas foram mortas. No total, o governo sírio matou quase 1.000 pessoas apenas com o uso de armas químicas.

2) Na época, os Estados Unidos forçaram Assad a destruir todas as suas armas químicas e não usar mais tal tipo de arma contra seus cidadãos. O acordo foi intermediado pela Rússia, que ficou de supervisionar a destruição das armas químicas sírias.

3) Em 4 de abril de 2017, incontestavelmente, a força aérea síria atacou a população de Khan Shaykun. Quase 100 pessoas morreram no ataque, incluindo crianças e mulheres. Tudo indica que o ataque usou armas químicas, o que implica em um DESCUMPRIMENTO EXPLÍCITO ao acordo de 2013.

4) Amigos e inimigos confirmaram o uso de armas químicas no ataque. Tanto Israel quanto a Turquia se posicionaram a favor de uma retaliação. A inteligência norte-americana (Pentágono, NSA, CIA) também assessorou o presidente Trump em relação ao ataque, validando a versão do uso de armas químicas pelo ditador que já havia matado quase 1.000 pessoas com as ditas armas.

5) Nessa situação, Trump tinha duas opções: podia cruzar os braços e agir como o idiota do Barack Hussein Obama, fazendo ameaças vazias e que só desmoralizariam mais os Estados Unidos, ou RETALIAR de modo estratégico, para mostrar ao ditador sírio que ele não pode se desviar do acordo de 2013.

Trump optou por mostrar que não é um idiota incompetente como o queniano socialista e retaliou. A mensagem foi clara: NÃO USE MAIS ARMAS QUÍMICAS CONTRA A PRÓPRIA POPULAÇÃO. Como alguns bons vlogueiros bem observaram (como o Nando Moura, por exemplo), a mensagem também serve para deixar russos e norte-coreanos espertos. Ela diz: “NÃO BRINQUE COM A AMÉRICA. A ERA OBAMA É PASSADO. AGORA, O PAPO É SÉRIO”. Tudo isso é incontestável.

Entretanto, há outros fatos (que são FATOS mesmo, hein) que não são tão incontestáveis assim, mas que eu espero que com essas informações eles passem a ser. Vamos a eles: 

1) A Síria NÃO ESTÁ “QUASE GANHANDO” A GUERRA, nem contra a oposição, nem contra o Estado Islâmico. Esse FATO tem gerado questionamentos porque... sei lá... As pessoas não acompanham o que está ocorrendo por lá. Os jornalistas não estão estudando direito. O Wi-Fi não está funcionando bem nas redações dos jornais. Não sei. O que eu sei é que NÃO HÁ QUALQUER MOTIVO PARA ACREDITAR que a Síria está quase ganhando a guerra civil que já ceifou a vida de quase 400.000 pessoas e se prolonga por seis longos anos. Vejam o seguinte mapa, ele mostra a divisão de poderes na Síria. Basicamente, ele revela que a Síria não está NEM DE LONGE perto de vencer a guerra, nem contra o Estado Islâmico nem contra a oposição.

Basicamente, o governo sírio domina quase 35% do seu próprio território (onde está a maior parte da população), as Forças Democráticas da Síria (a parte em amarelo) dominam 20% do território, no norte do país, onde se concentra 12,5% da população, e a oposição domina 13% do território, que também abriga 12,5% da população. E o Estado Islâmico? Bem, essa porcaria detém aproximadamente um terço da Síria, com quase 10% da população do país. Como um governo que domina apenas 35% do próprio território e está em guerra com meia dúzia de adversários está “quase ganhando” a guerra? Sim, temos que analisar a situação. Se o governo sírio tivesse apenas 1% do território no ano passado, isso poderia indicar um bom momento na guerra para o governo sírio, já que significaria que ele recuperou 34% do território. Mas não é isso que ocorre. Vários sites podem mostrar como Assad tinha controle sobre até mais regiões em 2015 do que hoje (fique à vontade para buscar “mapas da guerra da Síria” e clicar em “imagens” para conferir). De fato, o ataque contra Khan Shaykun foi uma retaliação a um ataque da oposição contra Homs no final de março.

Conclusão: você até pode comprar o papo-furado do “Assad está quase ganhando a guerra”, mas o fato é que o ditador está DESESPERADO e controla apenas pouco mais de UM TERÇO do país. O restante da Síria está sob o controle da oposição legítima, de grupos terroristas (que não são “oposição legítima”) e também dos curdos. Ou seja: o Assad NÃO ESTÁ GANHANDO A GUERRA CIVIL. Ele está HÁ SEIS ANOS lutando para se manter no poder e ainda não pensou em como acabar com essa idiotice que já ceifou a vida de quase 400.000 pessoas.

2) Assad NÃO É o “defensor da cristandade no Oriente Médio”. Muitos dizem que os cristãos e os árabes de bem têm que se contentar com o ditador socialista porque “pelo menos”, ele dá certa estabilidade política à região. Nada disso. Se você quer procurar um lugar que garanta paz aos cristãos no Oriente Médio, busque em ISRAEL. Bem atrás de Israel, eu diria (porque já fui lá) o Egito. E mesmo no Egito é perigoso (vide os ataques contra duas igrejas cóptas nos últimos dias).

Os últimos sucessos contra o Estado Islâmico não foram decorrentes da atuação do exército sírio ou da representação russa na Síria, mas da atividade dos curdos e da representação norte-americana no Iraque. Veja nesse link que os norte-americanos estão atuando ATIVAMENTE na Síria, apesar do exagero na cobertura da retaliação de Trump contra o uso de armas químicas por Assad. A mídia propagandeou em março a atividade bélica norte-americana em partes da Síria contra o Estado Islâmico, mas ninguém achou isso um absurdo porque Assad JÁ PERDEU O CONTROLE DESSAS REGIÕES HÁ MUITO TEMPO. Ou seja, isso reforça o fato de que a ditadura de Assad está LONGE de vencer essa guerra, seja contra a oposição legítima, seja contra os terroristas (que DEVEM ser mortos), seja contra qualquer um.

É ingenuidade achar que um ditador desesperado para manter o poder e que já perdeu mais da metade do seu território vai ter tempo de proteger cristãos e lutar contra o Estado Islâmico. Os russos parecem ajudar Assad contra o ISIS apenas como forma de recuperar partes do território perdido. Quem está realmente ajudando os cristãos e lutando contra os terroristas, não só nas proximidades de Damasco, mas também no norte da Síria e até no Iraque, são os norte-americanos e seus aliados. Vejam:

Tropas americanas, curdas e iraquianas atacam posições do ISIS no Iraque (em outubro de 2016)

Tropas americanas e aliadas atacam ISIS na província de Deir az-Zor na Síria (em janeiro de 2017)

Militares norte-americanos ajudam tropas sírias (não vinculadas ao Assad) em ataque contra o ISIS nas proximidades de Raqqa (em março deste ano)

Militares americanos e da FDS (da Força Democrática da Síria, que não é vinculada ao Assad) atacam tropas do ISIS perto de Raqqa (também em março)

FDS e EUA capturam base do ISIS em Tabqa (no final de março)

Forças curdas (que dominam o norte da Síria) estão em constante luta contra o ISIS. De fato, boa parte das fotos de mulheres lutando contra o ISIS são tiradas nessa região do conflito, mais ao norte do país (vários momentos)

3) Trump NÃO ATACOU a “única base” que protegia a população de Khan Shaykun contra o Estado Islâmico. Por mais que eu adore os vídeos do InfoWars e goste muito do vlog do Paul J. Watson, eles não estão sempre certos. Veja o mapa de bases militares na Syria. A base atacada pelos Estados Unidos não era a “única barreira entre o Estado Islâmico e os cristãos da região”. Há outras quatro ou cinco bases nas proximidades e tantas outras instalações militares que Assad PODERIA usar se quisesse proteger cristãos. Mas a verdade é que Assad não está nem aí para nós cristãos. Ele quer apenas se manter no poder. Paul J. Watson foi temerário em dizer que os EUA atacaram a única base capaz de proteger os cristãos da região contra os avanços do Estado Islâmico. Ainda mais porque há VÁRIAS OUTRAS BASES MILITARES na região e que os principais ataques contra aqueles vagabundos têm vindo dos curdos (no norte do país) e das forças iraquianas (apoiadas pelos EUA).

A propaganda russa com certeza quer que o ocidente acredite que Putin, aliado do ditador Assad e dos anticristãos do Irã, é a melhor aposta para proteger os cristãos no Oriente Médio, mas faz tempo que eu deixei de dar crédito ao que os russos falam. Você sabia que boa parte dos líderes da al-Qaeda (que deu origem ao Estado Islâmico) foi treinada pela KGB? Os americanos treinaram afegãos para lutar contra o comunismo lá em 1979, mas os russos treinaram idiotas para ser uma força contra o capitalismo. A KGB elaborou lá no passado uma estratégia para enfraquecer os EUA por meio do terrorismo e por isso que Putin ainda tem uma agenda no Oriente Médio. O fato é que os EUA apenas deram uma mensagem ao tirano sírio. Só isso. Trump não quer enfraquecer a luta contra o Estado Islâmico. De fato, a luta contra aqueles vagabundos será muito mais bem-sucedida quando FORÇAS OCIDENTAIS colocarem os pés na região, sem tentar fazer alianças com idiotas que se casam com menores de idade.

4) Putin NÃO QUER COMEÇAR A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL. Por que ele iria querer começar uma guerra contra os EUA? Ele não seria capaz de vencer. Ele sabe disso. E ele não é um idiota egocêntrico. Ele é um idiota realista. E realisticamente, a Rússia NUNCA venceria os Estados Unidos em uma guerra nos dias de hoje. Nem na II Guerra Mundial a Rússia lutou contra as nações capitalistas: ela fez seus aliados nazistas lutarem contra o resto do mundo para depois trair seus amiguinhos antissemitas e ajudar o resto do mundo a derrotá-los. E depois dividiu com o mundo os espólios da guerra. Por que, depois dessa lição extremamente objetiva, Putin faria diferente hoje? Para vencer os Estados Unidos é muito mais fácil envolvê-lo em dezenas de guerras menores para enfraquecê-lo antes do golpe final. E o fato é que esse golpe final está LONGE de ocorrer.


Se a Rússia quisesse fazer uma guerra nuclear contra os EUA, ela sofreria tanto ou mais que os norte-americanos. A população norte-americana é muito mais espalhada do que a russa. Um ataque nuclear contra a Rússia poderia acabar com a capacidade de ataque e defesa do país com poucas bombas. O contrário não é verdadeiro. A população norte-americana é muito mais dispersa e produtiva do que a russa. Mesmo na época da União Soviética, os russos sabiam que NÃO HAVIA COMO VENCER OS ESTADOS UNIDOS SEM CONTAR COM A INTERVENÇÃO DIVINA OU COM A SORTE. Como os russos são ateus e a sorte nunca estará do lado deles, eles sabem que NUNCA vão vencer uma nação cristã em uma guerra direta.

Os norte-americanos têm BEM MAIS militares do que os russos. São 1.400.000 contra 767.000. Eles têm BEM MAIS AVIÕES do que os russos: são 13.400 contra 3.550. São DEZENOVE porta-aviões americanos contra apenas um porta-aviões russo. A população russa também não é tão bem armada nem tão bem preparada quanto a americana (mesmo com o tanto de ideologia feminista e esquerdista que tenta acovardar o homem no ocidente). A única forma de os russos vencerem os americanos é sendo mais capitalistas, mais produtivos e mais cristãos do que eles. Se eles não se esforçarem para se aprimorarem nesses quesitos, eles podem tentar à vontade: eles NUNCA VÃO VENCER. E eles SABEM disso.

Bem, o que quero dizer com isso é que os russos não estão dispostos a fazer “false flags attacks” para levar os norte-americanos a uma Terceira Guerra Mundial. Claro que não. Eles podem promover falsos ataques para levar os EUA a lutarem contra alvos que irão enfraquecê-los, mas não para fazer com que entrem em uma guerra contra a Rússia. Os Estados Unidos gastam muito mais com sua força militar do que os russos. A própria produtividade norte-americana, que exigia da União Soviética gastos imensos com defesa, fez com que os russos se dessem conta de que tinham que mudar de estratégia. Só de 2010 a 2015, os EUA gastaram quase QUATRO TRILHÕES DE DÓLARES em defesa. A Rússia gastou apenas meio trilhão no mesmo período.

Os russos seriam uma aposta possível se eles começassem uma guerra com ataques nucleares estratégicos. Qualquer coisa diferente disso os colocaria em inferioridade até contra chineses. E, bem, Putin SABE DISSO e não vai tomar nenhuma medida precipitada. Ele tem suas ambições no Oriente Médio, mas ele não é bobo. Putin vai ladrar o tanto que for para evitar perder suas bases na Síria, mas ele não vai comprar uma guerra contra os Estados Unidos mesmo se o presidente Trump avançar com as tropas norte-americanas contra o regime Assad.

5) Nem todos os adversários de Assad são terroristas. Os “especialistas de última hora” parecem ter comprado de forma ingênua a mentira extremamente simplificada de que o conflito na Síria se desenvolve entre Assad e o ISIS. Para muitos, parece que a guerra na Síria é entre os sanguinários terroristas do Estado Islâmico e o ditador que é apresentado como o “menor dos males”. Nada mais longe da verdade. O ISIS é um problema separado da Guerra Civil na Síria. Seus membros atacam tanto a região dominada por Assad quanto os territórioss dominados pelos curdos no norte do país, bem como as cidades mais interioranas mantidas pelas diversas facções da oposição.

De fato, al-Qaeda e outros grupos terroristas também têm lutado contra Assad, mas isso não significa que todos que lutam contra o ditador são terroristas. A oposição que se formou dentro do exército sírio em 2011 ainda está lá. Os curdos e sua FDS ainda estão lá. A população síria que esperou tanto tempo para se livrar da ditadura socialista de Assad também continua lá. Ou seja, é perfeitamente possível encontrar aliados sensatos na Síria para ajudar em um esforço para acabar com a ditadura sanguinária de Assad e ainda expulsar o ISIS da região.

Enfim, na minha opinião, o que o mundo precisa mesmo é de uma Nova Cruzada. E nesse contexto, por mais que seja palatável a ideia de se aliar com os diversos grupos NÃO terroristas da região para tirar Bashar al-Assad do poder, eu acho que qualquer aliança nesse sentido deve vir com CONDIÇÕES UNILATERAIS. Essas condições unilaterais seriam: proteger as populações não islâmicas que vivem no Oriente Médio (cristãos, homossexuais, pessoas de outras religiões) e garantir a liberdade religiosa não só aos cristãos, mas também aos muçulmanos (principalmente mulheres), para que possam deixar o islamismo sem sofrerem as consequências tradicionais da religião (geralmente a pena de morte para apostasia).

Donald Trump errará mais se não tentar cavar esses avanços com os potenciais aliados do que com qualquer ação unilateral que vier a tomar para defender os interesses cristãos e ocidentais na região. Quanto ao ataque à base de Shayrat, a retaliação era necessária tanto como alerta ao ditador Assad quanto para mostrar ao mundo que os EUA estão sob nova administração. E que essa administração vai levar a sério os acordos que faz e a segurança dos seus aliados na região (como Israel). Um ditador que bombardeia sua própria população com armas químicas não vai ter muitos problemas em lançar o mesmo tipo de bomba contra Tel-Aviv ou Nazaré. E por mais que muitos odeiem o Trump pelo ataque, pelo menos Assad recebeu a mensagem.

Henrique Guilherme

Henrique Guilherme

Economista, mestre em administração pública e especialista em matemática, estatística e administração de empresas. Apresentou os programas "O Patriota: A Voz da Resistência" no canal de rádio www.blogtalkradio.com/opatriota, é conservador, de direita e nerd.