A lamentável agressão imposta aos agentes penitenciários

Comissão de deputados federais, que analisavam a reforma da previdência, foi ontem invadida por agentes penitenciários revoltados com a não inclusão de sua categoria no grupo de servidores (PF e Polícia Legislativa, por exemplo) que teria um tempo menor para se aposentar.

Um absurdo. Um absurdo.

Absurdo maior ainda é vermos as leis e a justiça serem utilizadas de forma tão desigual e desproporcional quando atingem réus e interesses diferentes.

Sempre achei interessante aquela estátua de olhos vendados, segurando uma balança, que diz representar a justiça. Perguntava-me: o que significaria aquela venda?

Uma imparcialidade benigna, ou uma cegueira proposital e maligna?

Recentemente, temos verificado, para a nossa infelicidade, que o prato da balança tem pendido para o lado da cegueira, quando o assunto é se fazer justiça no Brasil.

Não sou advogado, não entendo de leis, e muito menos de direito previdenciário, mas isso não me impede, na função de cidadão brasileiro, de usar a lei do bom senso e da lógica para observar, analisar e emitir as minhas opiniões.

Por que a Polícia Legislativa teria o direito de se aposentar com uma idade inferior à Idade que se aposentaria um agente penitenciário?

Um trabalha em um ambiente requintado, com um salário muito maior e em ambiente climatizado.

Já os pobres dos agentes penitenciários, por sua vez, trabalham em presídios que mais lembram as masmorras da Idade Feudal, recebem baixos salários e sofrem com o calor escaldante das penitenciárias brasileiras.

Trabalhar com os mais perigosos bandidos e ladrões da nação, por si só, não justifica privilegiar a Polícia Legislativa e ignorar os clamores dos agentes penitenciários.

Roberto Corrêa Ribeiro de Oliveira