A inimaginável mulher das neves - II

Quando o avião com Eduardo Campos se esborrachou em Santos, em pouco tempo o avião com Andrea Neves pousou mansamente no Aeroporto de Confins. O aeroporto, construído com esmero pelos militares, é um dos mais seguros do mundo já que as condições quase perfeitas para a decolagem e a aterrissagem permitem economias consideráveis no pouso e da decolagem e praticamente não há interrupção de serviços devido ao mau tempo.

Mas embora a aterrisssagem do avião tenha sido tranquila, não se pode dizer o mesmo do pouso de Andrea Neves na campanha de Pimenta da Veiga, o então candidato do PSDB ao Governo de Minas. Ela tomou de assalto a produtora, armada até os dentes, com uma Tropa de Elite. Não veio para visitar, veio para intervir, tomar de assalto um território que amigavelmente lhe pertencia.

Antes disso, houve um episódio marcante. No debate entre os candidatos em que Aécio participou, foi tratado como pó de traque. A grande estrela era Marina Silva e, claro, a líder das pesquisas, Dilma Roussef. Dilma inclusive teria passado por Aécio e dado uma esnobada no neto de Tancredo.

A intervenção quase bélica de Andrea e sua trupe na campanha de Pimenta da Veiga foi propagada como uma ação do comando da campanha para corrigir eventuais erros na condução do candidato do Governo do Estado.

Mas, ainda que tenham possivelmente havido erros na condução do marketing, que acontecem em qualquer campanha, nada justificaria uma intervenção tão brusca como foi a da “Tropa de Elite” de Andrea. O debate tinha sido o estopim de tudo.

O marqueteiro que até então era responsável pela campanha era um antigo parceiro do grupo, presente desde as primeiras campanhas de Aécio. Foi quem decidiu o segundo turno da eleição de Marcio Lacerda quando seu adversário, Leonardo Quintão, já havia mandado engomar a faixa de prefeito.

A única explicação possível era Eduardo Campos. A queda do avião do candidato tido como “Terceira Via”, fizera de Marina a “bola da vez”, com chances reais de chegar ao Planalto. O comando da campanha em São Paulo (leia-se Andrea) decidiu que era preciso pelo menos salvar Minas Gerais. E deslocou o QG para as Alterosas.

Pimenta da Veiga tornara-se o alvo preferido das mídias sociais. Seu desconhecimento do Estado, depois de 30 anos morando Brasília, fez dele uma piada pronta, confundindo cidades e regiões e colegiando gafes uma atrás da outra. Na preparação para o primeiro debate com Pimentel alegou ser advogado e um tribuno experiente, menosprezando o adversário e a equipe que tinha se dedicado a pesquisar durante meses para prepará-lo. Já Fernando Pimentel era conhecidamente um homem culto, professor universitário e um dos melhores quadros do PT. Era Dadá Maravilha enfrentando Messi.

Aquilo com que Pimenta e Aécio contavam, a então capacidade quase mágica de eleger postes, dissolveu-se como mágica quando veio à tona o aeroporto de Cláudio. Restava, então, ocupar o espaço de Pimenta para fazer propaganda de Aécio. Mas já era tarde demais.

E aqui é importante frisar as diferenças entre o professor Anastasia e o doutor Pimenta.

Anastasia é um homem disciplinado, dedicado, trabalhador, um dos mais competentes técnicos em gestão pública deste país. Era o segredo por detrás do sucesso de Aécio. Não é, definitivamente, um poste.

O resultado é que Aécio perdeu em Minas com Pimenta e, porque perdeu em seu estado no primeiro turno, também sofreu reveses no segundo. Eu viajava pelo Brasil e quando perguntavam de onde eu vinha a única pergunta era: Por que Aécio perdeu na terra dele? Isso, evidentemente, levou muita gente a optar pela candidata do PT.

O grande líder dos mineiros desprezou os principais líderes do PSDB, que tinham muito mais viabilidade eleitoral que Pimenta da Veiga e com isso, os afastou da disputa. A maioria fez pouco mais que figuração. A única exceção foi o então deputado federal Nárcio Rodrigues, jornalista, que contribuiu muito com o seu conhecimento de comunicação e nunca abandonou a raia.

Quando à Imperatriz de Minas, postou-se no alto do castelo e limitou-se a despachar ordens, Já se sabia, desde o princípio, que Pimenta da Veiga não tinha viabilidade eleitoral. Contou com a bênção do padrinho, mas esta foi ao solo num aeroporto do interior. E não contou com os puxadores de voto do PSDB, cada um deles dedicado a eleger seus próprios filhos e continuar o seu legado.

Aquela que talvez tenha sido a mais competente estrategista política das Minas Gerais, a verdadeira herdeira do avô, sucumbiu vítima de sua própria soberba e excesso de confiança. Acontece com alguns gênios.

Wilson Bentos