Na Terceira Idade

Sempre me preocupei com as pessoas da Terceira Idade, mas nunca parei para pensar que um dia poderia fazer parte desse time. E não é que agora me sinto jogando na equipe deles também? 
Quem me alertou sobre o fato foram as centenas de amigos que de uma maneira ou outra me comunicaram esse acontecimento. Muitos me cumprimentaram através de telefonemas, ou mesmo por mensagens. Alguns vieram pessoalmente me abraçar – especialmente alguns dos mais caros.
Já pelo Facebook, minha nossa! Foram tantos que fiquei sem condições de agradecer. Não porque não quisesse, mas porque tenho duas dificuldades com o Face: a primeira é a mesma do escritor italiano Umberto Eco a respeito do despotismo que muitos adotam para dizer suas mensagens. A segunda é a mesma da maioria dos de minha idade, dificuldade de manusear essas coisas modernas.
Que não seja por isso! Vão aqui meus agradecimentos a todos que mandaram suas mensagens me cumprimentando pelo aniversário, tanto pelo Face como pelos outros meios modernos. Acredite, isso que você fez valeu muito para dar mais ânimo a este novo integrante da Terceira Idade. Obrigado.
Agora, por favor, permita-me responder a pergunta que a maioria dos que me cumprimentaram começaram dizendo: “Como estás te sentindo nesta idade”? Além daquele “Bem, obrigado” que disse a cada um, agora acrescento que somente hoje sei o que não sabia quando tinha a sua idade: Aprendi não faz muito tempo, por exemplo, que não preciso ser bom, mas preciso e devo ser justo.
Também sei bem mais que na primeira idade, aos 40 anos – aos 40 pensava que era ali, nessa idade, que a vida estaria começando, pois assim dizia o francês Honoré de Balzac. Hoje aprendi que ela começa todos os dias e foi o brasileiro Érico Veríssimo que o disse. O brasileiro tinha razão, mas só ultimamente me dei conta disso: A vida começa todos os dias.
Cícero, filósofo romano, já disse 2.090 anos atrás: “O idoso conserva suas faculdades se mantiver vivos seus interesses”. 
Durante os últimos vinte anos mantive viva essa obrigação de fazer um artigo semanal publicado em diversos jornais e revistas – me dando um imenso prazer. 
Hoje ainda continuo com o artigo, mas quinzenalmente. Com isso vou seguindo o conselho de Cícero e mantendo vivos os meus interesses pela vida. Sei que comento mais sobre política e me perdoe, mas é nessas questões que minha vivência mais se entrelaça contigo. 
Veja, com 25 anos já era vereador eleito e a política partidária, a partir daí, contaminou de forma irremediável meu ser. Então, o que mais faço mesmo é acompanhar as questões políticas e administrativas do país. 
Nos últimos anos tenho perdido muitos amigos que cedo se aposentaram e, parados, as doenças ruins os atacaram; ou, então, foram consumidos pela depressão. Hoje sei o porquê de as mulheres terem vida mais longa que nós homens, elas não se aposentam nunca da sua principal atividade que é cuidar do lar – e isso não resume apenas suas casas, mas filhos, netos e nós maridos, claro.
E já que estou no time da Terceira Idade vou continuar jogando bem para não perder de goleada, especialmente contra o time alemão (Alzheimer).
Waldir Guerra 
Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. E-mail: [email protected]  



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Waldir Guerra

Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. E-mail: [email protected]