A infidelidade virtual

22/08/2015 às 08:48
A internet trouxe nova formas de prazer sexual e muitos estão substituindo o relacionamento com parceiro ou parceira pela facilidade virtual. 
É na internet que o sexo virtual rola em todos os cantos do planeta. [foto_esquerda=2073]
São inúmeras as possibilidades que permitem ao internauta viver suas fantasias mais secretas. Na verdade todos temos fantasias eróticas  que nem às paredes confessamos. A internet facilita a realização de fantasias do inconsciente porque garante o anonimato do usuário. Além disso permite liberdade total para criar novas identidades. Essa identidade individual variável exerce um poderoso fascínio sobre nós. Todos somos seres múltiplos e com a simulação já não estaremos mais sozinhos e com uma única identidade que é real e nem sempre nos agrada. 
A garantia do anonimato e a facilidade de troca de identidade incentivam o aparecimento de um fenômeno que a psicanálise identifica como "personalidades múltiplas". Podemos assumir centenas de outras identidades para o prazer sexual que preferimos. Na tela se projetam nossas fantasias sexuais mais profundas, muitas vezes infantis e inconscientes, que só se realizam no plano imaginário.  Essas novas identidades podem se apresentar como homem mulher, jovem, velho, tímido, ousado, gay, lésbica, etc. mas é preciso tomar cuidado para que o hábito não se torne patológico; nesse caso haverá o risco de até infringir a lei, como temos visto acontecer com os pedófilos. Isso pode acontecer quando o internauta fica viciado em sexo virtual e perde o interesse pelo real.  As personalidades múltiplas vão ficando cada vez mais distantes da realidade e até o orgasmo se torna fantasia e já não consegue alcançar o prazer do ato sexual real. 
Quando Freud escreveu "A Interpretação dos Sonhos" não poderia imaginar o sexo virtual, mas falou das nossas fantasias que realizamos através dos sonhos ou dos devaneios que são fantasias de quem sonha acordado. 
O ideal do sexo online é quando ele nos dá a possibilidade de transformá-lo em off-line, ou seja, torná-lo realidade. [foto_esquerda=2076]Mas é bom tomar muito cuidado quando marcar um encontro com desconhecido; Além dos riscos com DST, que hoje estão disseminados, pode haver riscos inimagináveis. As pessoas que usam sites de relacionamento, antes de um encontro propriamente, é bom procurar conhecer bem a pessoa com quem está se relacionando virtualmente. Pesquise seu nome na internet, procure conhecê-lo pessoalmente em lugar público e nunca vá diretamente ao relacionamento sexual sem absoluta confiança. 
Nas trocas de mensagens online onde se reúnem vários participantes, conhecidos como "chats", os internautas se identificam por apelidos e se divertem criando personagens para si mesmos, com opiniões e estilos de vida inteiramente diversos dos verdadeiros usuários. O anonimato e o contato real com alguém do outro lado permitem aflorar sentimentos que muitas vezes nem conhecíamos. 
Quando falo da infidelidade virtual posso afirmar com absoluta certeza que é mais comum do que se imagina. Pode ser por simples prazer, mas também pode ser por uma fuga para casamentos  ou relacionamentos infelizes, onde as pessoas buscam o prazer sexual de acordo com suas preferências. Na maioria das vezes é apenas mais uma forma de prazer sexual que em nada prejudica o parceiro. 
Do ponto de vista jurídico, frequentar páginas sexuais na internet não caracteriza adultério. A lei só considera adultério o flagrante do ato sexual real, e isto é extremamente difícil.  Entretanto os juristas consideram esta prática altamente injuriosa com o parceiro e muitas são as separações judiciais com base em infidelidade virtual. Na maioria das vezes trata-se de uma desculpa para justificar a separação de um casal, cujo relacionamento já está falido à muito tempo. Os advogados, por sua vez, procuram motivos para melhor atender aos seus clientes. 
O sexo virtual é muito comumente associado à masturbação. [foto_direita=2075]As imagens eróticas e sexuais na telinha excitam e levam ao orgasmo pelo auto-erotismo. Isto pode ser muito saudável porque o praticante tem a oportunidade de se auto-conhecer cada vez mais. As mulheres que praticam masturbação frequentemente tem muito mais facilidade com a lubrificação de suas vaginas e assim conseguem estar rapidamente preparadas para a penetração. 
Há alguns anos uma leitora mandou-me um e-mail dizendo-se apavorada porque surpreendeu o marido se masturbando enquanto assistia um filme pornô no computador. Disse-me ela: "Foi muito constrangedor; nunca vou esquecer aquela cena. Depois daquele dia, sempre que fazemos amor fico imaginando que ele não sente mais prazer comigo". Aconselhei-a a passar a ver filmes pornôs com o marido e tudo ficou resolvido. Juntos descobriram novas fontes de prazer.
Casos de flagrantes como esse da leitora são muito comuns, mas não há porque se preocupar. A masturbação do parceiro ou parceira é apenas mais uma forma de prazer e isto não quer dizer que a tesão acabou. 
Embora seja muito natural,  cada um tem sua própria maneira de encarar a masturbação porque durante muitos anos foi motivo de grande tabu. [foto_direita=2072]Hoje sabemos que é uma das maneiras que a natureza nos proporcionou para o auto aprendizado sexual. Entretanto, quem tem alguém em sua vida deve tomar cuidados com suas intimidades inconfessáveis. Assim evitará constrangimentos e até ressentimentos desnecessários.  
Nicéas Romeo Zanchett 


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