Salvem Água Rica!

Eis que me pego fazendo palavras-cruzadas e aparece a palavra “casco”, com o sentido de “vasilhame”, pouco usual nos dias de hoje, a “era do plástico” para engarrafar bebidas. Eu já havia me esquecido do uso de vasilhames, estamos nos tornando relapsos com o passado, descuidados das coisas boas do passado, por um progresso sem perspectivas.
Maria Inez, não se lembrou com precisão qual foi o ano que seu pai Franklin Dias de Castro, com sua esposa Adaila,
Sr. Franklin e dona Adaila, fundadores
saiu do Capão Seco, onde havia trabalhado de motorista para a família Coelho e Barbosa, e comprou umas terrinhas perto do córrego Anhanduí. A minha anfitriã das paradas do Restaurante ÁGUA RICA, acredita que foi nos idos de 1956/1957.
E as lembranças vão aparecendo, e vai contando que Franklin alugou um caminhão e trouxe a mudança para a área de 33 hectares, comprada da divisão de uma grande fazenda, e ali ele construiu a casa da família, que continua a mesma ao lado da BR 163, quilometro 341, próximo do distrito de Anhanduí.
Varanda
As lembranças brotando como a flor silvestre nos campos, me informa que lá pelos anos de 1961/1962, resolveram desviar a estrada que passava atrás das terras de seu pai para a frente da sede da fazenda, porém nunca a família recebeu um “vintém” do Governo Federal pela área.
A CCR quer acabar com 55 anos de história
Após a construção da estrada quase a porta da fazenda – ditando uns cem metros – nos tempos que viajar de Dourados a Campo Grande em tempos de chuva demorava até oito horas ou mais, viajantes paravam na fazenda e pediam comida e abrigo. Assim, como a procura ficou grande, o mineiro Franklin resolveu abrir um restaurante para acolher os passageiros, fabricando o famoso “pão de queijo” mais apreciado em todo o estado de Mato Grosso do Sul.
Frente do restaurante
O restaurante persistiu no tempo, com sua casa de madeira desde a época da construção, suas varandas e glamour, com Franklin canalizando a água da mina “em bica” da fonte que nasce no morro acima, permanecendo fiel a tradição de conservar o prédio do restaurante até repassar ao seu genro Joaquim Tomaz Filho, o adorado QUINZINHO, que nos deixou tragicamente em setembro de 2013.
Atendimento diferenciado
Então, encontro uma viúva triste e aflita com a investida do progresso e a privatização da BR, assustada com a informação que passaram a sua família que ali conservam um dos maiores patrimônio cultural da nossa terra e das estradas sul mato-grossense, informando que pretendem duplicar a estrada fazendo-a ao lado direito da pista atual, que causará o “sumiço” da fonte de água do restaurante, bem como cortará todas as árvores defronte ao mesmo em seu arredor, além do que, a estrada vai “lamber” as varandas do restaurante, tirando todo o glamour e o charme da casa sul-matogrossense, cartão postal que é a Água Rica.
A CCR quer passar a pista bem neste pátio.
A nossa amiga Maria Inez Tomaz, pede socorro, pede audiência com a presidente Dilma se possível, pede apoio da imprensa para a sua empreitada, pede ajuda de todas as autoridades, para que não se faça o que pretende a concessionária CCR, que não conhece nossas tradições e pouco está importando e dando valor a nossa cultura, vindo de fora, impondo a sua vontade sem sentar e observar a linda vista que Água Rica tem, sentindo o perfume suave das árvores do cerrado e do taquaral que ali próximo perfuma a tarde que cai.
Parte interna
Um dia Almir Sater pediu a Quinzinho que nunca mudasse nada do Água Rica, conservando a nossa história, então o convoco para somarmos uma frente e conservarmos o nosso patrimônio cultural, assim como a todas as autoridades que um dia pararam lá, almoçaram ou jantaram, ou comeram o famoso “pão de queijo”: SALVEM ÁGUA RICA!!! Vamos nos esforçar para que a duplicação da estrada cruze do outro lado, não matando o glamour deste paraíso a troco de um progresso caolho que quer apagar o nosso passado e a nossa cultura.
Sergio Maidana - advogado


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da Redação