A questão do terrorismo

Os Estados Unidos viveram neste domingo, em Orlando (Flórida), um de seus capítulos mais sombrios. Um homem de 29 anos abriu fogo em uma casa noturna popular entre a comunidade gay, matando pelo menos 50 pessoas e ferindo 53. Foi o pior atentado a tiros múltiplo da história. Os primeiros indícios apontam para um único atirador, que foi baleado pela polícia. O atirador, identificado como Omar Siddique Mateen, era cidadão norte-americano de pais afegãos. O presidente Barack Obama descreveu o massacre como “ato de terrorismo e ódio”.

Omar Sediqque Mateen

Ao discutirmos a natureza do terrorismo, analisamos como fonte deste ato, a disposição psicológica pela qual o indivíduo sente-se exposto à síndrome da violência, motivo que o torna identificado com os mecanismos a que estão sujeitos outros seres igualmente inseridos neste contexto.

O terrorismo é, por assim dizer, ‘a guerra de quem não pode fazer guerra’, ou seja, de quem não pode – sob pena de ser derrotado – entrar oficial e abertamente em campo proclamando suas exigências; pois, se abandonar a clandestinidade e renunciar às ações secretas, perde a sua própria eficácia e, portanto, nega-se a si mesmo. Por isso o aparecimento dos fenômenos terroristas é tão explosivo e destruidor: nem sequer sabemos exatamente de quem e do que devemos nos defender.

O problema que se sucede, está no fato de que toda a ação terrorista busca impactar a opinião pública em geral, visando também grupos específicos de pessoas como alvo preferencial da sua ação, os chamados “grupos de riscos”, constituídos por classes sociais, funcionários do governo, militares, homossexuais, prostitutas, além de religiosos e grupos étnicos.

Nos Estados Unidos, a ação terrorista, pela forma operativa, é desenvolvida por um grupo menor, com graus de complexidade e organização distintos.

Os exemplos mais difundidos reportam-se aos crimes seriados (Serial Killer), que geralmente alcança suas vítimas, através de cartas explosivas.

No mundo, muitos movimentos, legaram líderes mundialmente notabilizados por sua decisiva parcela de contribuição quer seja na implantação de um estado de força, quer pela ação pacífica de impedir confrontos.

Quando em 1995, Rabin foi morto por um extremista judeu, após ter assinado com Yasser Arafat um acordo de paz, o mundo estremeceu diante da possibilidade de novos confrontos.

O nacionalismo separatista, nascido do estado nazista e stalinista, tem atraído em suas fileiras, inúmeros seguidores, aptos a darem suas vidas por ideais suicidas.

O conflito na Bósnia, com a formação de grupos de guerrilhas, geralmente institucionalizados pelas atrocidades do exército contra a população local, deixou rastros de crueldade, dizimando vilarejos, saqueando e violentando mulheres, além de matarem inocentes, provocando o êxodo de grupos localizados.

No ato terrorista, existe uma ação de sabotar o inimigo, destruindo suas resistência, desestabilizando o poder territorial, além de gerar uma sensação de insegurança, implantando modelos de força que pouco a pouco vão miando pontos estratégicos, tais como pontes, linhas de comunicação, visando assim, obstruir a infra-estrutura destes, aniquilando-os.

Alguns atentados são indiscriminados ou aleatórios, significando afirmar ser esta tática, uma ação que vitima inocentes em grande número e com a maior diferenciação possível.

Para este tipo de terrorismo, fica difícil nomear qualquer identificação quer seja política ou ideológica, por ser este modelo operacional, isento de qualquer preparo militar. 

Outros grupos, como o ETA – Movimento Separatista Basco, usam de uma ação discriminatória e sistemática, além da IRA – Exército Republicano Irlandês, que associa sua ação frente aos militantes protestantes.

A questão que nos preocupa, esta no fato de que estas práticas, geralmente associadas a movimentos separatistas, trazem em sua ideologia, a semente da discórdia, a síndrome do pânico e caos social.

Pode parecer comum ouvir acerca de ações terroristas, contudo, toda demonstração de fúria e força que impele uma ação de força, deve ser rigorosamente destituída se não quisermos assistir cenas de sangue na tela quente de um mundo que se vê todos os dias na tevê.

Observando os últimos fatos, vemos que inúmeros jornais estão sendo aliciados, conformados aos padrões de doutrinas que expressam um conteúdo de apelos sutis, fomentando desta forma, práticas que asseguram o vandalismo, a agressão estúpida, resultando sempre no caos coletivo de crimes praticados em escolas e lugares públicos.

Não precisamos de ações terroristas para implantar um estado de direito, onde a lei deva ser cumprida, outrossim, basta somente que cada um de nós esteja disposto a desarmar consciências embotadas pelo ódio, buscando dar uma chance à paz.

Pio Barbosa Neto

Professor, escritor, poeta, roteirista

Pio Barbosa Neto

Articulista. Consultor legislativo da Assembleia Legislativa do Ceará