Podres de doutrinados: a geração que exige tudo mas não se responsabiliza por nada

Você chega no caixa do mercado, o jovem te atende com aquela cara de bunda e aquele cu azedo de quem parece ter acabado de beber aquele gole de café frio, sem açúcar que sobrou na xícara de sexta-feira passada. Te atende com aquele sorriso amarelo e aquela cara de quem diz: ‘Odeio essa merda de emprego idiotizante sem futuro. Aqui, trabalhando para encher os bolsos dos patrões que ficam com tudo, sem sair do seu escritório com ar-condicionado’.

O moleque tem 16, 17 anos e acha que o justo seria ser, logo de cara, diretor executivo da Amazon, conselheiro administrativo da Walmart ou o pica das galáxias em qualquer outra grande empresa de renome.

Rapaz, vá crescer pentelhos e estudar. Daqui uns 10 anos a gente conversa.

Mas é interessante o resultado da mentalidade esquerdista em prática. O moleque já não tem qualquer senso de responsabilidade pelo próprio destino. Tudo dentro dele foi aniquilado pela narrativa vitimista de que não importa quanto esforço faça, quanta perseverança tenha, quais são os seus objetivos na vida, jamais sairá do lugar porque ‘O Sistema’ é feito para aprisioná-lo. Está condenado pelo Sistema a jamais chegar a lugar algum - como se ser caixa de mercado fosse ‘não chegar a lugar algum’. Mas pelo menos agora, graças à professora de humanas, ele tem ‘pensamento crítico’ para perceber isso e ir para a ‘luta’. Ele não precisa de um plano para se aprimorar e tentar crescer na vida por conta própria. O seu plano já não é o melhoramento individual como profissional e como pessoa, mas o melhoramento do mundo. Agora seu principal objetivo é libertar a humanidade.

Se entrasse hoje, nesse mesmo mercado, procurando alguém para contratar, escolheria o sujeito que faz aquele papo chato com o cliente, do tipo ‘será que chove?’. Aquele que independentemente de quão insatisfeito esteja com o atual emprego, ainda deseja fazer um bom trabalho. Aquele que sabe que o seu trabalho pode ser reconhecido e que com isso pode ser promovido ou receber alguma bonificação. Aquele que o cara de bunda deve considerar, com toda a certeza, o seu colega mais ‘alienado’.

O ‘pensador crítico’ com cara de bunda vai virar político ou sindicalista. E aí, vai ganhar a vida reclamando sobre a 'injustiça' de quanto eu pago pro seu ex-colega ‘alienado’ que, agora, já não é caixa de mercado porque foi além, em função da sua dedicação. E vai fazer isso pago pelo bolso desse empresário 'explorador' e do seu ex-colega 'alienado', e ainda vai sair na foto como o altruista abnegado da história.

A nossa civilização anda, de fato, muito doente.

Matheu Dall’Pizzol

Matheus Dal'Pizzol

Palpites sobre o oblívio das virtudes